segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Áreas de Planejamento/Rio de Janeiro

Para quem não sabe, aqui está uma "breve" explicação
das áreas de planejamento do município do Rio de Janeiro e suas origens!

Muitas pessoas não sabem porque não é de interesse de muita gente, até porque a maioria dos cariocas tem uma preocupação maior: ganhar o ganha-pão de cada dia. Enfim!!! E além disso, não é de interesse da política, pois aqui vale o eleitor desconhecido do passado dos candidatos, ou seja, eleitor sem memória política, facilitando assim o poder de persuasão sobre o mesmo (eleitor).

O candidato tem obrigação de conhecer o município que irá administrar, e ontem, no debate que houve na Record, o candidato Gabeira entendeu muito bem que o Eduardo Paes queria realmente fazer pegadinha. Pois ele a fez SIM! Mas Gabeira não bobeia... e diante daqueles que não têm o conhecimento fica parecendo que o Gabeira quer alfinetar Paes, enquanto o que ocorre é extremamente o contrário.

Como já apresentei a AP 3 (que não é totalmente considerado subúrbios da Central e da Leopoldina e nem totalmente Zona Norte - conforme Paes disse ontem. Aff!), na postagem do dia 18 de outubro, hoje, explico melhor para vocês como o Rio de Janeiro é divido para atender administrativamente os bairros conforme uma divisão feita por áreas (AP’s) divididas em regiões administrativas (RA’s) de acordo com a proximidade e as suas particularidades urbanas, assim podendo atender as necessidades da cidade de forma geral.

Então vamos lá!

O Rio é dividido em 5 áreas de planejamento:

- Área de Planejamento 1


A Área de Planejamento 1, formada por 15 bairros e 6 Regiões Administrativas, representa 4,6% da população carioca e 2,8% do território municipal.

Trata-se do espaço urbano mais antigo da cidade, correspondendo ao centro histórico e ao conjunto de bairros que foram urbanizados na primeira metade do século XIX, como resposta ao processo de crescimento e transformações decorrentes da chegada da corte portuguesa em 1808.

- Área de Planejamento 2


A Área de Planejamento 2, formada por 25 bairros, distribuídos por 6 Regiões Administrativas, representa 17% dos cariocas e ocupa 8,2% do território da cidade.

A AP 2 corresponde à área de expansão da cidade promovida por implantação do sistema de bondes, na segunda metade do século XIX. Com sua configuração geográfica entre o mar e o Maciço da Tijuca, é a região que simboliza a imagem da Cidade do Rio de Janeiro. É nessa estreita faixa que se localiza a quase totalidade dos pontos turísticos que projetaram internacionalmente a Cidade e até mesmo o país. Notabilizada por sua paisagem e inúmeros atrativos culturais e de lazer, a região exerce atratividade não só para os que vêm de fora mas também para os moradores do restante da cidade pela oferta de serviços e lazer. Ainda hoje, nos bairros da zona sul, sobretudo, em Copacabana, encontra-se a maior parte do parque hoteleiro da cidade, além de restaurantes e casas noturnas.
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Área de Planejamento 3


A Área de Planejamento 3 possui 80 bairros distribuídos em 13 Regiões Administrativas, que correspondem a 16,6% do território municipal e a 40,2% do total da população residente no Rio de Janeiro. De cada cinco cariocas, dois moram na AP 3. E, de cada dois moradores de favela, um está na AP 3 (49,9% da cidade).

Na origem, as atividades agrícolas foram responsáveis pela ocupação da extensa área de sertão, levando à implantação da freguesia rural de Irajá, em 1647, e, posteriormente, a de Inhaúma (1743) e a da Ilha do Governador (1757).

As transformações de uso e a conseqüente anexação das terras da AP 3 à malha urbana começaram a acontecer com a implantação da ferrovia, na segunda metade do século XIX. Dos quatro ramais ferroviários lançados na região, ganha destaque o da Central do Brasil como o que mais propiciou a formação de bairros ao redor das estações.

No inicio do século XX, a realização de um amplo programa de obras de renovação urbana na área central promoveu o deslocamento de determinados usos para a direção norte da cidade, orientado pela existência do sistema de transportes ferroviário que atendia aos deslocamentos de passageiros e de cargas.

Novos bairros surgiram, então, como resultado da implantação das atividades industriais. Nos anos trinta, a eletrificação da ferrovia propiciou a unificação do preço das passagens e, com isso, os empreendimentos habitacionais, promovidos por instituições previdenciárias, os Institutos de Aposentadoria e Pensões, passaram a exercer papel preponderante no processo de ocupação dessa área da cidade.

- Área de Planejamento 4

A Área de planejamento 4 é formada por 19 bairros distribuídos por 3 Regiões Administrativas. No conjunto da cidade, a AP 4 corresponde a 24% da área e 11,6% da população carioca.


Trata-se de extensa área de baixada, limitada pelos maciços da Tijuca e Pedra Branca e pelo Oceano Atlântico, mantida durante muito tempo preservada, sem inserção na malha urbana, em função das próprias características geográficas que lhe dificultavam o acesso. Suas conexões com a cidade eram promovidas por caminhos que serpenteavam os morros ou pela garganta entre os dois maciços, atual Candido Benício. Neste trecho, uma lenta ocupação foi iniciada pela parte norte da Baixada de Jacarepaguá, sendo sua base rural, com predominância de sítios e chácaras.

Apenas em meados do século XX ocorreu a inserção definitiva da área ao território da cidade, em função da implantação de novas conexões rodoviárias. A ocupação, que passava a ser irreversível e enormemente facilitada, foi conduzida pela continuação do eixo litorâneo, vindo da zona sul, expandindo a ação do vetor residencial mais valorizado da cidade. Dois vetores passaram então a conduzir a urbanização da área: um mais antigo por Jacarepaguá e um novo, pela Barra da Tijuca. Esta direção, por extensão, valores ambientais e potencial de crescimento, foi objeto de um plano de ocupação realizado em 1969 por Lucio Costa, que obedeceu às idéias vigentes na época. Por um lado contribuiu para a preservação de diversas áreas naturais de grande importância, por outro trouxe um modelo de ocupação calcado na segregação de usos, na negação do tecido urbano tradicional – com densidade e espaços públicos de interação, como no Jardim Oceânico e Barrinha – e na dependência em relação ao transporte individual. Um resultado indireto foi também a segregação social, com o surgimento e expansão de favelas destinadas a abrigar uma mão de obra para a qual o plano não previu claramente alternativas.

Desde então, a AP 4 registra um fantástico crescimento, verificado, sobretudo, na região administrativa da Barra da Tijuca que passou de 5.779 residentes em 1970 para 174.353 em 2000, numa variação de 2.917% em 30 anos.
A ação do mercado imobiliário é bastante forte na região, respondendo em 2004 por 69,3% das unidades lançadas em empreendimentos imobiliários efetuados na cidade, segundo Ademi. Tudo isso, revelou a constante implantação de condomínios residenciais uni e multifamiliares, dotados de infra-estrutura e segurança, que começou em meados da década de 70 que perdura até os dias atuais, assim como atraiu a construção de centros comerciais, de entretenimento e lazer.

- Área de Planejamento 5


A Área de planejamento 5 é formada por 20 bairros e 5 regiões administrativas. Corresponde a 48,4% do território do Município e abriga cerca de 26,6% da população carioca. Seu território apresenta como principais compartimentadores físicos o Maciço do Gericinó-Mendanha, os Rios Guandu Mirim e Itaguaí, o Maciço da Pedra Branca e a Baía de Sepetiba.

A Zona Oeste, como é conhecida, foi tratada como última fronteira da urbanização do Rio de Janeiro. Nela, foram mantidos, durante muito tempo, os usos agrícolas e as extensas propriedades, que foram se extinguindo com a pressão da urbanização, a partir da década de 1960.
Embora cortada pela ferrovia, que chegava a Santa Cruz, fatores como distância, ausência de serviços e áreas militares bloquearam a continuidade da expansão urbana, inicialmente concentrada no entorno das estações ferroviárias.

Gradativamente, a ocupação foi sendo expandida, o que é atestado pelo crescimento populacional da área, de 124,3% nos últimos 30 anos (1970/2000). Como local de moradia para um pouco mais de um quarto da população da cidade, a AP 5 apresenta 11,6% desse contingente morando em ocupações irregulares, loteamentos irregulares ou clandestinos e favelas.
É isso! Base desta postagem é fruto de estudo realizado para preparação do plano diretor pela câmara.

4 comentários:

Marcos de Oliveira disse...

karolynne,

Muito bacana o post. É, fazer o que ne, o populismo venceu mais uma vez ne, agora vamos sofrer até o fim, com promessas vazias e blablabla. Bom, estou fazendo uma pesquisa de mestrado sobre sta. cruz (ap5) e gostaria de saber se voce tem estas imagens q postou em resolução maior ou a fonte para eu poder procurar(livros etc.). Valeu, fui!!!

Ane disse...

Gostei muito da sua explicação e me será útil em minha monografia. Continue clareando assuntos q realmente não são de domínio público e é de extrema importância q o fosse!! Sua contribuição foi ímpar e o nosso querido Brasil precisa d pessoas como vc q não "prendem" o conhecimento, mas sim passam adiante!!!
Um abraço!

Karolynne Duarte disse...

Caro Marcos,

Acredito que você poderá buscar muitas informações nos seguintes links da Prefeitura: Planejamento Estratégico -
http://www.rio.rj.gov.br/planoestrategico/ e Rio Estudos - http://portalgeo.rio.rj.gov.br/_pcontrole/sisbann/abrebanner.asp?getcod=50

Um abraço

Karolynne Duarte disse...

Muito Obrigada pelo comentário, Ane!

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