Cidade Paradiso, Nova Iguaçu/RJ.Pequenos bairros dentro do bairro, assim são os condomínios-clubes, um conceito que vem dominando os novos lançamentos imobiliários e estão se ampliando e virando verdadeiras minicidades. São conjuntos habitacionais que contam com ampla infra-estrutura urbana, como ruas, centros comerciais, praças e restaurantes. Alguns já começaram a surgir na Barra da Tijuca e no Recreio, mas agora estão chegando aos bairros da Zona Norte e à Baixada Fluminense. O público consumidor de produtos nestas áreas passou décadas sem encontrar oportunidades. A demanda estava reprimida e a oferta também, mas bastou a situação econômica estabilizar-se um pouco mais e facilitar o crédito para o mercado se movimentar.
Ao todo são 32 mil unidades habitacionais com preços entre R$ 60 e 70 mil.
Um dos maiores projetos desse tipo anunciados até agora vai ser lançado no próximo sábado, em Nova Iguaçu. A CR2, em parceria com a prefeitura do município, vai apresentar o "Cidade Paradiso", uma minicidade em um terreno de 4,6 milhões de metros quadrados em Cabuçu. Ao todo, serão 32 mil casas de dois quartos (com preços entre R$ 60 mil e R$ 70 mil – Bom, não?!), escola, creche, rodoviária, posto de gasolina e centro comercial. O projeto será dividido em fases, ao longo de dez anos. A creche nós vamos construir já na primeira fase. Os demais equipamentos serão feitos pela prefeitura, em um terrenos de 240 mil metros quadrados que doamos - disse o responsável pelo projeto, Rodrigo Selles.
- Outros exemplos:
Cidade Jardim - Barra da Tijuca.
Terá um bosque com sete mil árvores, parques e praças. Haverá quiosques para instalação de restaurantes, além do Espaço Praia, com quadras de areia e gazebo com redes.
Rio 2 - Jacarepaguá.
São, ao todo, 29 edifícios em uma área total de um milhão de metros quadrados, sendo que 80% do terreno é de área livre. Há ainda jardim interno, exposição de obras de arte, uma praça com chafariz e ciclovia, independente das ruas.
Santa Mônica - Barra da Tijuca.
O minibairro tem um total de 372 mil metros, sendo 45 mil de área verde.
Cidade Paradiso – Nova Iguaçu
Segundo o diretor da CR 2, Rogério Furtado, cada família ganhará um título de sócio para o clube de águas próximo ao empreendimento.
Mas...
A zona norte, mais conhecida como subúrbio do Rio, está começando a receber projetos típicos de Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Um dos motivos de se investir aqui é por haver uma demanda reprimida no mercado e além do mais os terrenos são mais baratos, mas o que é de se preocupar é que os nossos governantes não conseguem dar um fim na tamanha violência que assola o Rio de Janeiro há anos, e, a solução pensada pelo mercado imobiliário é o sistema condominial. Esse sistema pode transformar o subúrbio carioca culturalmente e não será difícil fazer com que a população perca a memória suburbana, já que praticamente nada é feito para valorizá-la e conservá-la. Uma região marcada por uma convivência peculiar entre moradores e vizinhos, caracterizada pelas solidariedade, pela simplicidade, pelo sorriso no ro
sto apesar de todas as dificuldade do dia-a-dia, das peladas de futebol, das cadeiras de praia na calçada, de meninos e homens já adultos soltando pipa no meio da rua, o churrasquinho da esquina, a barraca de angu à baiana e outros pratos quentes, como mocotó, os jogos de baralhos da melhor idade nas pracinhas, enfim...
O que será que restará do subúrbio carioca, com tanto condomínio promovendo o lazer privado, particular... do lazer vendido (Veja)? O que será da memória suburbana?
De sua opinião, pois o subúrbio é especial e específico!

4 comentários:
Olá, Karolynne
Foi uma grata surpresa conhecer seu blog. Foi por acaso que o encontrei no Google. Achei bem bacana falar da nossa cidade,
especialmente do subúrbio. Temos duas coisas em comum: também sou arquiteta e fã de carteirinha desta área tão típica do Rio, inclusive meu trabalho final de graduação foi sobre um bairro suburbano.
Este tema que você trata, os condomínios do tipo clube-residência, foi algo que mencionei no meu trabalho também. Aqui vou transcrever uma frase que achei bastante interessante.
“Uma cidade é um conjunto de bairros dos quais cada um tem a sua
fisionomia, resultante de sua função, de seus habitantes, de sua cidade. Todos esses bairros, mais ou menos integrados entre si, formam a cidade. Um bairro urbano tem uma feição que só a ele pertence, uma vida particular, uma alma”. (Pierre Monberg, in Novos Estudos de Geografia Humana Brasileira)
A transformação da paisagem em alguns bairros do subúrbio carioca é algo que venho observando já algum tempo e que a princípio, é
perfeitamente compreensível, visto que a paisagem urbana está em
constante mudança em função da atuação de diversos agentes. É
interessante que determinados bairros suburbanos vão aos poucos deixando de serem chamados de subúrbio e vão sendo agrupados em
uma região com nome próprio, perdendo assim suas “fronteiras”. Esse é o caso dos bairros vizinhos ao Méier que vão ser designados pelo Plano Estratégico da Cidade como Grande Méier e não mais de
subúrbio. É como se o nome "subúrbio" fosse pejorativo.
As mudanças começam com a falta de investimentos que faz o valor
dos imóveis despencar. Depois vem a mudança na legislação, sempre
mais permissiva do que nas áreas "nobres". Nos bairros suburbanos, a ausência de elementos naturais marcantes, que amenizam a temperatura ambiente, já seria suficiente para fazer com que se evitasse o aproveitamento máximo do lote, tanto vertical quanto horizontalmente. No entanto, os parâmetros rbanísticos são mais flexíveis. Podemos perceber que outras soluções mais adequadas às características locais são desconsideradas. Além disso, tudo reproduzindo uma arquitetura semelhante a qualquer outro lugar da cidade, com os mesmos conceitos, elementos e materiais na fachada.
As formas arquitetônicas ditas vernaculares, que foram testemunhas de um processo de ocupação, são facilmente substituídas por outros padrões que reproduzem formalmente as tipologias da zona sul ou mais diretamente da Barra da Tijuca. E gradativamente, a fisionomia
muito particular do subúrbio (casas isoladas, casas geminadas, vilas, sobrados, chalés, pequenos prédios) vai se transformando pela
inserção de elementos novos que não apresentam nenhuma identidade
com a paisagem local. Pelo contrário, seguem a tendência
homogeneizadora atual de valorizar a introversão dos espaços em detrimento da dinamização da vida social tão marcante no espaço suburbano.
É claro que a produção da paisagem vai ser influenciada pela técnica,
modo de produção e relações sociais e culturais vigentes em cada período. E esse, o atual, também vai deixar sua marca, mas estou chamando a atenção para a existência de uma forma própria de
ocupação dos bairros suburbanos, que resultou em tipologias que
fazem parte da história local, que se relaciona com a identidade destes bairros, as quais vão sendo descartadas, como se seu processo
histórico de ocupação fosse irrelevante.
“O cidadão deixa de reconhecer as paisagens altamente padronizadas
e, conseqüentemente, perde a capacidade de encontrar nelas vestígios e marcas de permanência de sua própria existência e da produção cultural de seu grupo social”. (1)
(1) LANDIM, Paula da Cruz. Desenho de paisagens urbanas: cidades do interior paulista. Editora UNESP, 2004.
Janaína adorei sua postagem, de verdade!
Onde foi seu TFG?
Obrigada pela contribuição ao blog! Principalmente pela opinião e pelas citações!
Cada vez que recebo um comentário fico muito feliz por ver que não estou sozinha!
Muito Obrigada!
Karolynne,
Eu te agradeço pela oportunidade de divulgar minha opinião em seu blog para que outros possam ler também e se manifestar. Acredito que iniciativas como a sua de falar dos bairros do subúrbio, ressaltando a história, a paisagem, o patrimônio arquitetônico, podem ajudar a superar algumas visões distorcidas de que o subúrbio é uma área degradada, que a linha férrea segrega os bairros e isto contribui para baixa autoestima dos cidadãos desta parte da cidade.
Não acho que os cidadãos suburbanos tenham problema de baixa autoestima. O que torna os locais desolados, mau tratados é a falta de investimentos, a falta de manutenção no mobiliário urbano, a falta de programas culturais, a falta de áreas verdes, o aumento do trânsito de carros, o abandono dos bens tombados, a falta de fiscalização dos imóveis etc..
No meu TFG (eu me formei pela UFF), eu propus a criação de uma APAC em Marechal Hermes para que as edificações da Vila Proletária ficassem protegidas pela lei. O processo vem se arrastando na prefeitura desde 2006. Eu esperava que saísse no mandato do prefeito anterior, mas agora com nova administração, não sei qual o grau de interesse deles.
Mas o trabalho rendeu bons frutos: "Decreto publicado no Diário Oficial do Município determina o tombamento provisório de quatro prédios escolares no bairro de Marechal Hermes, declarados marcos históricos da evolução urbana do surbúbio carioca. São eles os prédios da Escola Municipal Evangelista Duarte Batista, do Colégio Estadual Professor José Accioli, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Visconde de Mauá e do prédio do curso de Mecânica e Eletrotécnica da Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá.
Além disso, foram criadas Áreas de Entorno de Bem Tombado, o que tutela os imóveis nelas incluídos e estabelece autorização do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural para qualquer tipo de modificação que possa ser feita nessas construções. A estação ferroviária do bairro também teve seu entorno protegido."
Não foi criada a APAC ainda, mas a área que eu propus transformou-se na área de entorno de bem tombado, provisoriamente, é verdade. Mas já é um passo, né?
Outra boa notícia foi a conquista da ONG Cidadania em Movimento que finalmente conseguiu aprovar o projeto Arte e Memória no Subúrbio - Vila Proletária Marechal Hermes, que os torna agora um Ponto de Cultura, que é um programa do Governo Federal em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.
Abaixo alguns links para quem quiser conhecer:
http://oglobo.globo.com/rio/bairros/marcelo/post.asp?cod_post=12255
http://www.kazaerua.com/
Que legal, Janaína!
Também sou formada pela UFF, que coisa, não?!
Eu ouvi falar de uns projetos culturais em Marechal nos últimos meses! O último que vi foi sobre Dança!
Parabéns pela conquista do projeto com parceria do Estado!
Espero que muitos aspectos mudem para melhor no subúrbio!
Não consegui ler os links! Me fale um pouco mais sobre a ONG.
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